As ofertas públicas de fundos imobiliários e Fiagros aceleraram no primeiro trimestre de 2026, impulsionando o recorde histórico do mercado de capitais brasileiro no período. De acordo com dados da Anbima, as emissões encerradas entre janeiro e março mostraram forte apetite por ativos listados, sustentado por liquidez e busca por renda recorrente. Esse movimento reforça o papel dos FIIs na diversificação de portfólios e na canalização de recursos para o setor real da economia.
No trimestre, os FIIs movimentaram R$ 20 bilhões em ofertas, avanço de 146,6% ante igual intervalo de 2025. A retomada sinaliza melhora das condições de captação e um ciclo de reprecificação mais favorável. Em linhas gerais, os gestores direcionam os recursos para aquisição de ativos, expansão de portfólios e reorganização financeira, respondendo à demanda de investidores por produtos com lastro em imóveis e créditos estruturados.
Entre os segmentos mais ativos, destacam-se fundos de logística, lajes corporativas, recebíveis imobiliários e shopping centers. A diversificação setorial atenua riscos específicos e amplia oportunidades de alocação. Além disso, o ambiente de juros e a resiliência dos contratos de locação têm sustentado o interesse por veículos com gestão ativa e governança robusta.
Os Fiagros, por sua vez, mantiveram trajetória de expansão. As captações somaram R$ 3,3 bilhões no trimestre, crescimento anual de 97,5%, evidenciando a consolidação da classe. Esses veículos focam o financiamento do agronegócio, com exposição a títulos de crédito, imóveis rurais e instrumentos vinculados à produção, estocagem e comercialização.
A categoria ganha espaço entre investidores que buscam diversificação setorial, descorrelação com ciclos urbanos e acesso eficiente ao financiamento do campo. O pipeline de ofertas indica continuidade do interesse, especialmente em estruturas lastreadas em recebíveis e operações de originação pulverizada.
Em termos agregados, o mercado de capitais registrou R$ 180,1 bilhões em ofertas encerradas no primeiro trimestre de 2026, alta de 15,7% frente ao mesmo período de 2025. O resultado marca o melhor primeiro trimestre desde 2012 e reforça a capacidade do ecossistema de intermediar poupança e investimento, com destaque para a dinâmica de fundos imobiliários e a expansão consistente dos Fiagros.