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FIIs

CACR11: fundo negocia CRI Helvetia por R$ 23,5 mi depois de meses em crise

CACR11: fundo negocia CRI Helvetia por R$ 23,5 mi depois de meses em crise
fundo imobiliário IBBP11

O FII Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) vendeu por R$ 23,5 milhões toda a posição no CRI Helvetia, com pagamento à vista e liquidação em 13 de agosto. A transação inclui earn-out, que dá ao fundo direito a percentual de uma eventual recuperação futura do crédito. A gestora não detalhou o percentual nem projeções adicionais.

A venda ocorre em meio a restrições de caixa. O fundo suspendeu distribuições em abril e junho, pagou R$ 0,23 por cota em maio e não distribuiu em julho. Cotistas rejeitaram, em 17 de julho, a retenção de resultados do 1º semestre. Segundo o relatório de junho, restavam R$ 5,57 milhões (cerca de R$ 1,15 por cota) a distribuir do período.

Em 14 de maio, assembleia da operação deliberou o vencimento antecipado do CRI por descumprimento de cláusulas. Encerrado o prazo legal de cura, iniciou-se a execução extrajudicial de garantias. Em 22 de maio, a Helvetia 5 Administradora de Imóveis deixou de pagar notas comerciais vinculadas ao CRI, o que esgotou recursos do patrimônio separado para o repasse previsto em 25 de maio. O vencimento antecipado ocorreu antes do não pagamento.

No relatório de junho, o CRI apresentava saldo devedor de R$ 60,9 milhões, vencimento em março de 2027, taxa IPCA + 12,6825% ao ano e LTV de 53%. O crédito lastreava a 1ª fase do Helvetia Le Jardin, em Indaiatuba (SP), com 22 casas, 76,55% de obras e 23% de vendas.

Os R$ 23,5 milhões não são comparáveis, por si só, ao saldo devedor de R$ 60,9 milhões. O comunicado não trouxe o valor contábil da posição nem o resultado da venda. O earn-out preserva participação em possível recuperação futura.

Antes da alienação, a gestora avaliou seguir com a execução e desenvolver o projeto, mas citou incertezas de prazo, custos e necessidade de novos recursos. Em 10 de julho, a BRL Trust renunciou à administração, permanecendo até substituição ou por até 180 dias.

O FII fechou abril a R$ 81,33 e maio a R$ 23,97; em 30 de junho, R$ 27,35. A cota patrimonial era R$ 98,99. Em 12 meses até junho, a cota de mercado caiu 68,68%, enquanto o IFIX subiu 9,96%.

A destinação dos R$ 23,5 milhões e o impacto nos próximos rendimentos não foram informados. A venda reforça a liquidez imediata, mas o efeito sobre dividendos dependerá da alocação dos recursos e de eventuais recuperações via earn-out.

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