O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo encerrou 2025 com um ciclo de recuperação consistente, impulsionado por forte absorção de novas áreas e queda da vacância. No quarto trimestre, a absorção líquida somou 74,1 mil metros quadrados, quase triplicando o volume do trimestre anterior e consolidando a retomada da demanda corporativa. Ao longo do ano, o saldo acumulado alcançou 238 mil metros quadrados, refletindo maior confiança dos ocupantes e decisões de expansão adiadas no período pós-crise.
Esse avanço ocorreu apesar do incremento relevante de estoque observado desde 2019. Entre o pré e o período pós-pandemia, foram entregues cerca de 880 mil metros quadrados de espaços de alto padrão na capital. Ainda assim, a taxa de vacância recuou de forma contínua em 2025, sinalizando que a oferta adicional foi, em grande medida, assimilada pelo mercado.
No quarto trimestre, a vacância caiu para 12,1%, patamar abaixo dos níveis registrados nos anos imediatamente posteriores à pandemia e próximo dos 10% verificados antes de 2020. Segundo o BTG Pactual, parte relevante das novas áreas foi ocupada por empresas que aproveitaram a combinação de qualidade construtiva, localização estratégica e oportunidades de negociação.
Panorama de preços e demanda por escritórios de alto padrão
Os aluguéis mantiveram trajetória de alta, sem sinais de correção no fim de 2025. Até regiões que antes exibiam maior ociosidade registraram reajustes, amparados pela melhora do ritmo de ocupação. Nos principais eixos corporativos da cidade, os preços pedidos em novas negociações se aproximaram de R$ 300 por metro quadrado, indicando seleção por ativos premium e repasse gradual das condições de mercado.
O indicador de absorção líquida, que mede a diferença entre áreas ocupadas e devolvidas, reforça a leitura de equilíbrio em formação. Com 238 mil metros quadrados absorvidos no ano, a cidade consolida uma base mais sólida para 2026, apoiada por menor dispersão de preços e vazios mais concentrados em edifícios fora dos polos consolidados.
Para 2026, o BTG projeta estabilidade na oferta, com baixa pressão de novas entregas na maior parte das regiões. O cenário sugere negociações mais competitivas nas zonas de maior procura e menor disponibilidade de estoque, enquanto proprietários se beneficiam de prazos de comercialização menores e menor concessão de incentivos. Assim, o mercado de escritórios de alto padrão tende a manter a tração, com fundamentos compatíveis com vacância em queda moderada e valores firmes.