Fundos imobiliários projetam um início de flexibilização da Selic já em março, conforme a leitura consolidada dos relatórios gerenciais de janeiro de 17 FIIs listados na B3. A mudança de tom entre gestores de diversos segmentos sugere que o ciclo de alta perdeu força e que a queda dos juros deixou de ser hipótese distante. O consenso formou-se a partir de sinalizações recentes do Copom e do arrefecimento dos indicadores de inflação.
Atualmente em 15% ao ano, a Selic é descrita nos relatórios gerenciais como perto do pico do ciclo. Ao menos quatro documentos citam de forma explícita a comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a possibilidade de cortes já no encontro de março. A leitura predominante é que o fim do aperto monetário abriu espaço para uma trajetória de redução gradual, condicionada aos dados.
A condição para o início dos cortes segue vinculada à evolução da inflação corrente e das expectativas, em linha com o arcabouço do Banco Central. Gestores destacam que a materialização desse cenário tende a repercutir na precificação dos ativos sensíveis à taxa de desconto, com impacto mais direto nos FIIs.
Nos fundos logísticos, como HGLG11, BTLG11 e XPLG11, a avaliação é que o mercado já precifica o fim do aperto e cortes no primeiro semestre. Em renda urbana, a exemplo do HGRU11, e em fundos híbridos com exposição a lajes corporativas e logística, o discurso é semelhante: o ambiente de política monetária teria alcançado a etapa final do ciclo restritivo, com tendência de alívio à frente.
Entre os FIIs de crédito, incluindo BTCI11, KNCR11 e MXRF11, há convergência. Relatórios indicam que o Copom condiciona os cortes à leitura dos dados, enquanto o mercado precifica reduções iniciais entre 25 e 50 pontos-base. Nos fundos de shopping centers, como HSML11, XPML11 e VISC11, há menções à melhora dos índices de preços e à proximidade da flexibilização; o HSML11 fala em “elevada probabilidade” de início do ciclo em março.
O MXRF11 registra que o IFIX acumulou alta de 21,15% em 2025, apesar da Selic a 15% ao ano. Gestores ressaltam que parte relevante da recuperação já reflete a expectativa de cortes, enquanto diversos relatórios gerenciais apontam valor patrimonial ainda acima das cotações. Para o mercado de fundos imobiliários, a confirmação de queda da taxa básica tende a reprecificar os fundos imobiliários listados na B3, especialmente aqueles negociando com desconto frente aos ativos.