O mercado de galpões logísticos de alto padrão em São Paulo encerrou 2024 com desempenho sólido, sustentado por absorção líquida robusta, vacância sob controle e avanço dos preços de locação. A dinâmica foi impulsionada por pré-locações em empreendimentos recém-entregues, conforme o balanço do quarto trimestre do BTG Pactual. Esse movimento ajudou a mitigar pressões de oferta mesmo diante de novos lançamentos.
No último trimestre, a absorção líquida alcançou 484 mil metros quadrados, levando o acumulado anual a 1,5 milhão de metros quadrados. Os lançamentos se concentraram entre outubro e dezembro, somando 543 mil metros quadrados. A comercialização antecipada de uma parcela significativa do estoque novo evitou aumento relevante da vacância, evidenciando disciplina na tomada de decisão por parte de proprietários e ocupantes.
A taxa de vacância recuou a 7,8% no fim de 2024, ante 8,7% no primeiro trimestre, sinalizando que a expansão do estoque foi acompanhada por demanda consistente. Esse equilíbrio reforça a resiliência do segmento, especialmente em ativos com especificações técnicas superiores e localização estratégica.
Variação geográfica da vacância
No raio de até 30 km de São Paulo, foram entregues mais de 330 mil metros quadrados no quarto trimestre, com vacância em 10,4%. Já no anel de até 60 km, o indicador caiu de 6,4% para 5,5% no período, refletindo menor disponibilidade imediata de áreas, segundo o BTG Pactual. A assimetria regional indica competição mais intensa por espaços de qualidade em zonas com oferta madura.
Os aluguéis médios subiram 6% no quarto trimestre, encerrando o ano em R$ 32,1/m². Parte das devoluções retornou ao mercado precificada acima dos níveis anteriores, sustentando a trajetória de valorização. A indexação contratual e a escassez em localizações-chave também contribuíram para o avanço das taxas.
O pipeline futuro mostra maior participação de contratos no modelo built-to-suit, que viabilizam projetos sob medida e de longo prazo. Essa modalidade reduz o risco de vacância estrutural, amplia a previsibilidade de ocupação dos novos empreendimentos e fortalece a atratividade dos galpões logísticos de alto padrão no principal polo industrial e de consumo do país.