A taxa de vacância no mercado de escritórios do Rio de Janeiro segue próxima a 25%, impondo desafios para lajes corporativas e fundos imobiliários (FIIs) com exposição à cidade. O quadro ainda reflete demanda moderada, mesmo após anos de ajustes e renegociações. Segundo a Newmark, a locação de escritórios de alto padrão desacelerou no quarto trimestre de 2024, com absorção líquida em torno de 15 mil m².
A absorção bruta, que considera apenas as novas locações sem as devoluções, somou cerca de 27 mil m² no período. Esses números ficaram abaixo dos registrados no ano anterior, confirmando a tendência de retração. O resultado indica que, apesar de algum fôlego pontual em regiões específicas, o estoque vago elevado mantém a pressão sobre preços e ocupação.
Contribui para esse ritmo mais lento a concentração da demanda em poucos setores. O setor público e o segmento de óleo e gás lideram as contratações, reduzindo a diversificação de inquilinos e elevando o risco para proprietários e FIIs. Essa dependência setorial limita a capacidade de recuperação mais robusta do mercado de lajes corporativas no curto prazo.
Mesmo com leve avanço da área ocupada em zonas como Centro, Porto Maravilha e Barra da Tijuca, o volume de áreas disponíveis impede uma queda mais acelerada da vacância. A dinâmica de ocupação permanece sensível a devoluções, renegociações e prazos maiores de decisão corporativa, comuns em ciclos de incerteza econômica.
Os preços pedidos parecem se estabilizar. O valor médio de locação gira entre R$ 78 e R$ 79/m² ao mês, praticamente estável ante trimestres anteriores. Esse comportamento pode sinalizar o fim do ciclo de queda, apoiado por baixa atividade construtiva, o que limita a entrada de novos projetos e favorece um reequilíbrio gradual de oferta e demanda em lajes corporativas.
Para os fundos imobiliários, o ambiente ainda requer cautela. A vacância elevada pressiona receitas, afeta a distribuição de rendimentos e o dividend yield. Investidores e gestores devem priorizar ativos bem localizados, contratos sólidos e locatários resilientes, enquanto monitoram setores alternativos, como tecnologia e serviços, que mostram potencial de absorção pontual em lajes corporativas.