O mercado brasileiro de fundos imobiliários ganhou impulso com a criação da Lareal (Latin America REITs Association), entidade que busca fortalecer e profissionalizar o ecossistema. Formada por gestoras, especialistas e veículos listados, a associação pretende aproximar a indústria latino-americana de investidores institucionais e ampliar sua integração aos mercados globais. O movimento ocorre em um momento de consolidação local, com expansão do número de participantes e maior diversidade de estratégias.
Desde 2016, o patrimônio do setor multiplicou por sete, alcançando aproximadamente R$ 236 bilhões em 2025. No mesmo período, a base de investidores pessoa física superou 2,9 milhões, enquanto a quantidade de fundos listados atingiu mais de 400 veículos. Esses marcos mostram como os FIIs se consolidaram como porta de entrada ao mercado imobiliário para o investidor doméstico, com maior liquidez e transparência em relação ao investimento direto em imóveis.
Apesar do avanço, a Lareal observa que o segmento ainda carece de maior institucionalização. Entre os principais desafios estão padronização de informações, aprimoramento de governança e ganho de visibilidade internacional. A proposta é criar uma agenda comum para o desenvolvimento do setor, articulando boas práticas, rotinas de reporte e diálogo permanente com reguladores, gestores e cotistas.
A associação reúne nomes de referência, incluindo Alianza, Guardian, I2A Advogados, Suno, TRX Investimentos, Valora Investimentos e Vinci Compass, além de 13 fundos imobiliários representativos da indústria. Com essa base, a Lareal busca coordenar iniciativas que reduzam assimetrias de informação, pautem métricas comparáveis e fortaleçam processos decisórios, aspectos cruciais para ampliar a confiança do investidor.
H2: Padrões globais e integração regional dos fundos imobiliários
A Lareal passa a representar a América Latina na Global REIT Alliance, entidade que congrega associações do setor em diversos países. A colaboração internacional viabiliza a harmonização de padrões de governança, a qualificação da divulgação de dados e a melhoria do reporte a investidores, fatores essenciais para alinhar a região às melhores práticas globais e facilitar a alocação de capital transfronteiriça.
A entidade também destaca o avanço do capital estrangeiro. A fatia de investidores não residentes no fluxo dos FIIs brasileiros saltou de patamares modestos em 2017 e 2018 para cerca de 24% em 2026. Para sustentar essa trajetória, a Lareal aposta em maior previsibilidade regulatória, comunicação estruturada e métricas comparáveis, reforçando a atratividade dos fundos imobiliários como classe de ativos no longo prazo.