Os cotistas do fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) rejeitaram as demonstrações financeiras do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025, em consulta formal aos investidores.
A decisão ocorre em meio a questionamentos sobre operações com Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), títulos de crédito lastreados no setor imobiliário, que compõem a carteira do fundo.
Segundo comunicados ao mercado, foi contratada nova auditoria para reavaliar as demonstrações. A CVM também analisa informações sobre critérios contábeis e de avaliação aplicados a determinados ativos.
A rejeição das contas não implica, por si só, constatação de irregularidades ou fraudes, nem produz efeitos imediatos na carteira. O cenário, contudo, amplia o escrutínio sobre a gestão e as operações do veículo.
Queda do CACR11 na Bolsa e impacto nas cotas
A votação ocorre semanas após uma das maiores quedas mensais recentes entre FIIs na Bolsa. Em maio, as cotas do fundo caíram cerca de 70,5%.
No período, houve suspensão da distribuição de dividendos referente ao resultado de abril e divulgação de informações sobre ativos investidos. O relatório de maio indicou patrimônio líquido de R$ 471,9 milhões, cota patrimonial de R$ 97,58 e preço de R$ 23,97 no mercado, desconto superior a 75%.
Gestão do CACR11 prioriza liquidez
Em relatório de maio, a gestão relatou medidas para recompor a liquidez. Entre elas, a incorporação de juros de certas operações ao saldo devedor dos CRIs, em vez do pagamento financeiro imediato.
Segundo a gestora, a estratégia preserva recursos para continuidade de obras e reduz desembolsos no curto prazo. Informou ainda que a tese do fundo e o reconhecimento dos juros nos ativos permanecem inalterados no relatório gerencial.
A rejeição das demonstrações adiciona um novo capítulo, sem encerrar o caso. O mercado acompanha a reavaliação contábil, a evolução das operações de crédito e eventuais medidas adicionais da gestão.