O descompasso entre safra e estocagem no Brasil se ampliou. Em dez anos, a produção de grãos cresceu, em média, 6,5% ao ano, enquanto a capacidade estática — total instalada em silos e armazéns — avançou 4% ao ano, segundo a Datagro.
O resultado é um déficit superior a 130 milhões de toneladas. Essa lacuna força produtores a vender ou escoar a colheita logo após a safra, reduzindo a possibilidade de aguardar preços mais favoráveis.
Levantamentos do setor apontam na mesma direção. A Kepler Weber (KEPL3) estima déficit próximo de 135 milhões de toneladas e necessidade de cerca de R$ 148 bilhões em investimentos para equilibrar a estrutura de armazenagem.
SNAG11 mira armazenagem e irrigação
Fundos do agronegócio vêm olhando o tema como oportunidade. O fiagro SNAG11 aloca cerca de 6,3% da carteira em armazenagem de grãos, segmento considerado complementar à irrigação pela gestora.
A tese busca ampliar a flexibilidade de venda no campo. Com mais capacidade de estocagem, o produtor consegue reduzir a pressão de preços típica do período pós-colheita e escolher melhor o momento de comercialização.
No SNAG11, irrigação é a maior posição, com 22,7% dos recursos. O foco foi reforçado após o direcionamento de aproximadamente R$ 200 milhões da quinta emissão de cotas ao Fiagro FIDC Irriga Brasil.
Segundo a Suno Asset, armazenagem, irrigação e logística ganham relevância por elevar produtividade e reduzir risco operacional ao longo da cadeia. O tema é sensível em um ano de safra recorde como 2026.
A expansão do processamento e das exportações de soja exige novos aportes em infraestrutura rural. Nesse contexto, Fiagros aumentam a exposição a ativos do campo, enquanto o SNAG11 combina crédito do agro com investimentos voltados à resiliência e eficiência produtiva.