Os preços do milho seguem em alta no mercado brasileiro, mesmo com a colheita da segunda safra na reta final e perspectiva de produção recorde.
Em Campinas (SP), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa acumulou avanço de 5,82% em agosto até o dia 27, a R$ 69,05 por saca. No dia 28, subiu mais 0,67%, para R$ 69,51, elevando a alta mensal a 6,53%.
Segundo o Cepea, produtores restringem vendas, à espera de preços mais favoráveis e atentos à valorização externa. Compradores resistem às pedidas, mas aceitam valores mais altos para garantir lotes no curto prazo.
Parte da demanda usa estoques próprios para postergar compras. Assim, mesmo com a entrada de milho da safrinha, os negócios seguem pontuais e o equilíbrio entre oferta e demanda sustenta as cotações.
Alta do SNFZ11 e tese com o milho
O movimento de preços interessa ao fundo de cadeias agroindustriais SNFZ11 (SNFZ11) pela exposição a propriedades em Mato Grosso, polo relevante de grãos. Em julho, o Fiagro concluiu a aquisição das fazendas Panteão, Berrante e Guaraipós, elevando o portfólio a seis fazendas e três CRAs.
A carteira em imóveis rurais somou R$ 306,8 milhões. Todas as propriedades seguem arrendadas para a Jequitibá Agro, com vacância física e financeira de zero.
O efeito do milho sobre o fundo é indireto, pois a estratégia está ancorada em renda de arrendamentos e na valorização das terras. A alta dos grãos melhora as condições econômicas dos produtores e pode elevar a atratividade das áreas. As novas fazendas têm potencial de irrigação com pivô central, visando produtividade maior e menor risco climático.
SNFZ11 em polo da safrinha de milho
O SNFZ11 detém fazendas em Gaúcha do Norte (MT), onde é comum a integração soja–milho safrinha. A safra de soja ajustada a 181,8 milhões de toneladas favorece a sucessão de culturas e a geração de caixa ao longo do ano.
Em julho, o fundo apurou resultado de R$ 1,59 milhão, ou R$ 0,131 por cota, e manteve distribuição de R$ 0,10 por cota, com dividend yield anualizado de 13,69%. A gestora reiterou guidance de R$ 0,095 a R$ 0,105 por cota para o trimestre seguinte.