Os shopping centers seguem entregando resultados sólidos para os fundos imobiliários, mesmo diante de mudanças profundas nos hábitos de consumo. Relatórios gerenciais de abril indicam avanço consistente em vendas, taxa de ocupação e geração de caixa entre os principais FIIs do segmento. O movimento reforça a resiliência dos ativos e a capacidade de adaptação do setor em meio a um cenário de consumo mais seletivo.
A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) reportou faturamento recorde de R$ 200,9 bilhões em 2025. A ocupação média chegou a 95,4%, enquanto a inadimplência recuou para 4,3%, o menor nível da série histórica. Esses números sustentam uma perspectiva positiva para distribuição de rendimentos e valorização dos portfólios.
Apesar do menor tráfego, com fluxo 6,2% abaixo de 2019 e recuo real de 25% nas vendas do período, a permanência média atingiu 80 minutos, novo recorde. O ticket médio por visitante subiu de R$ 121 para R$ 126, impulsionado pela expansão de restaurantes, academias, clínicas e serviços — combinação que amplia relevância dos shoppings como hubs de conveniência e entretenimento.
No VISC11, o NOI por metro quadrado cresceu 15,3% na base anual, enquanto as vendas por metro quadrado avançaram 5,8% e as mesmas lojas registraram alta de 6,6%. O fluxo de veículos subiu 5,7%, sinalizando retomada de tráfego qualificado. No acumulado do ano, as vendas somaram R$ 1,214 bilhão (+14,9%), com NOI de R$ 103,2 milhões (+14,6%).
O XPML11 reportou R$ 1,55 bilhão em vendas em março, com média de R$ 1.620/m². O NOI caixa atingiu R$ 34 milhões, ou R$ 130/m². A vacância permaneceu em 3,7% e a inadimplência líquida em 1,7%, refletindo operação enxuta e elevada ocupação dos ativos.
No HSML11, as vendas avançaram 9% e o NOI cresceu 2%, com ocupação de 96,8% e inadimplência líquida de 1,2%. Entre os destaques, o Shopping Paralela ampliou vendas em 18%, e o Via Verde Shopping, em 14%, evidenciando boa execução comercial e mix calibrado.
Em síntese, os shopping centers mostram tração operacional, sustentada por ocupação elevada, controle de inadimplência e diversificação de receitas. Para os fundos imobiliários, o cenário favorece a manutenção de rendimentos e a captura de ganhos de eficiência, mesmo com fluxo ainda abaixo de 2019.