Os FIIs ganharam força em meio à recente escalada das tensões geopolíticas, que ampliou a volatilidade nos mercados globais e estimulou a busca por proteção. Com investidores priorizando diversificação e resiliência, essa classe de ativos desponta como alternativa para equilibrar carteiras expostas ao risco externo. A leitura de grandes casas, como a XP, reforça o papel defensivo dos fundos, sustentado por sua menor correlação com índices internacionais.
Segundo a corretora, a reprecificação do risco tem impulsionado a realocação de capital para praças menos dependentes dos Estados Unidos. O Brasil surge como destino relevante desse fluxo, com a entrada de recursos estrangeiros favorecendo ativos locais e ampliando a liquidez. Nesse ambiente, os fundos imobiliários se beneficiam por estarem atrelados a ativos reais e a dinâmicas domésticas.
Essa natureza mais local reduz a sensibilidade a choques globais, o que torna os FIIs um amortecedor em portfólios que precisam de estabilidade. Historicamente, o IFIX apresenta baixa correlação com mercados internacionais: cerca de 12% frente à renda variável global e algo próximo de 4% em relação à renda fixa internacional. Esses números ajudam a explicar a resiliência em ciclos de maior aversão ao risco.
No mercado doméstico, o reflexo já é perceptível no avanço da liquidez e da procura por produtos com perfil conservador. O SNEL11 negociou mais de R$ 4 milhões em volume financeiro, enquanto o SNAG11 superou R$ 2 milhões. Os dados sugerem apetite crescente por instrumentos com histórico de menor volatilidade, em linha com a preferência por previsibilidade.
A base de investidores também se expande. O SNEL11 já ultrapassa 87 mil cotistas, com avanço consistente nos últimos 12 meses. Para Gustavo Sung, economista e comentarista do mercado financeiro, “em momentos de risco geopolítico, o investidor tende a priorizar ativos que ofereçam previsibilidade e menor volatilidade. Quando a liquidez sobe junto com o número de cotistas, isso geralmente indica um reposicionamento estrutural”.
Por fim, o IFIX encerrou a sessão desta quinta-feira (9) em alta de 0,03%, aos 3.891,72 pontos, sinalizando estabilidade relativa diante da incerteza global. Em um cenário de turbulência, os FIIs reafirmam sua utilidade como pilar defensivo e diversificador.