O IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3, recua 4,48% em agosto (até o fim do pregão de 20/08). Se o movimento persistir, será o quarto mês seguido no negativo.
A queda reacende a dúvida entre investidores: aproveitar preços menores ou aguardar sinais de recuperação? Para o empresário do setor imobiliário Sidney Angulo, a resposta depende menos do preço e mais dos fundamentos de cada fundo.
Em conversa com o professor Marcos Baroni, Angulo disse seguir alocando em FIIs, mas refuta compras indiscriminadas. “Eu saio comprando indiscriminadamente? Não. Na realidade, eu vejo como é que está a situação de mercado”, afirmou. O debate completo está no canal Professor Baroni.
Preço x fundamentos nos fundos imobiliários
Segundo Angulo, parte do recuo decorre de mudança na percepção de risco, reavaliações patrimoniais (ajustes no valor contábil dos imóveis) e fatores políticos que elevam a aversão ao Brasil. Isso não implica, necessariamente, deterioração equivalente dos ativos. “Mesmo essa situação com as cotas caindo, os imóveis não estão caindo”, disse.
Baroni avaliou que há fundos com risco maior, mas destacou um efeito de “contaminação” que pressiona também veículos sem relação direta com os gatilhos recentes, inclusive os considerados mais conservadores.
Angulo reforçou a ótica de longo prazo. “Fundo imobiliário é um ‘buy and hold’. Eu compro para 10, 15 anos.” Ele citou como pontos de análise: qualidade dos imóveis, operação, perfil dos locatários e gestão. As visitas técnicas mencionadas por Baroni ajudam a entender a complexidade operacional além do preço em tela.
Risco e diversificação também foram citados. “Fundo imobiliário também tem risco”, disse Angulo, ao defender evitar concentrações acima de cerca de 5% por posição como referência. Para ambos, o foco é distinguir quedas por movimento de mercado de quedas por piora efetiva dos fundamentos.