O mercado de fiagros acelerou na B3 em 2026, sustentado pela força do agronegócio, pela demanda por renda recorrente e por avanços na liquidez. Em abril, a bolsa contabilizou cerca de 600 mil investidores em custódia, acima dos 545 mil do mesmo período de 2025, consolidando a classe como alternativa relevante para diversificação e distribuição de dividendos.
No mesmo ritmo, o patrimônio dos fundos avançou e atingiu aproximadamente R$ 11,5 bilhões em abril de 2026, em trajetória ascendente nos últimos meses. Esse crescimento reflete o apetite por crédito estruturado no campo e a migração de parte dos investidores de renda fixa para instrumentos listados. A melhora na profundidade de mercado também reduz spreads e favorece a formação de preço.
A negociação diária mostra um setor mais líquido. O ADTV do segmento alcançou R$ 22,3 milhões em 2026, sinalizando maior participação de pessoas físicas e institucionais. No acumulado do ano, o volume financeiro ultrapassou R$ 1,96 bilhão, com cerca de 168,4 milhões de operações, evidenciando o papel dos fiagros como ponte entre capital de investidores e necessidades de financiamento do agronegócio.
Entre os mais negociados em abril, RURA11 liderou com ADTV de R$ 6,3 milhões, seguido por KNCA11 (R$ 6,1 milhões) e VGIA11 (R$ 5,4 milhões). O SNAG11 somou ADTV de R$ 4,27 milhões, representando 10,5% do volume dos dez maiores fundos do segmento. Outros destaques incluem RZAG11, XPCA11, FGAA11 e EGAF11, reforçando a diversificação de mandatos e gestores no universo dos fundos.
SNAG11 avança com captação robusta
O fundo da Suno Asset concluiu sua quinta emissão ao levantar R$ 301,4 milhões, superando a meta inicial de R$ 200 milhões. O movimento ampliou a base de cotistas, que já supera 130 mil, e elevou a capacidade de originar operações lastreadas no setor.
Com a nova oferta, o patrimônio do SNAG11 chegou a R$ 927,66 milhões, crescimento de quase 50% frente ao tamanho anterior. A captação ocorreu em cenário de juros elevados e de restrição no crédito rural bancário, reforçando o papel do mercado de capitais na irrigação de recursos ao campo e a resiliência dos fiagros como instrumento de financiamento setorial.